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Muros, ironia e espaço público: Parte III – De quem é esse muro?

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Antes, leia a parte I e a parte II.

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___Banksy, um dos mais importantes artistas britânico vivos, tornou muros (vulgo, entraves à paisagem) em paisagens (no caso, obras de arte).

Bird 1

___Além de gostosas brincadeiras, o trabalho feito por Banksy é sempre cheio de críticas – algumas mais camufladas…

Bird 2

… outras, nem tanto.

Take that!
no future
Dreams
Park

___Banksy e outros pichadores me lembram, todos os dias, a quem os muros pertencem.

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___Um historiador que eu admiro bastante, certa vez levantou a questão: “O dono da propriedade é, também, o dono da parte de fora do muro que cerca essa propriedade?”.
___Depois de acompanhar esta série sobre muros e pichações, talvez alguns leitores pensem que eu vou dizer que os muros pertencem aos artistas que nas paredes colocam suas obras. Admito que pensar em cidades como gigantescos museus a céu aberto, com grandes telas espalhadas por todo canto, livres para todos e propriedade de todos os artistas, é muito do meu agrado, mas, ainda assim, não acho que os grafiteiros e afins são donos dos muros.
___Docemente, vejo como dono do muro quem tem de conviver com ele, olhar para ele, sentar-se nele. Por dentro, o dono do muro pode ser o dono do imóvel, mas, por fora, todos são donos do muro. Quem grafita é dono do muro, quem namora apoiado na parede é dono também, quem desvia e quem olha – principalmente quem olha – é dono do muro.

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___Aí está mais um motivo para que eu adorar o Banksy. Ele foi um dos artistas que resolveu transformar o Muro da Segregação (aquele muro que Israel tem construído na Palestina Ocupada para garantir que vai surrupiar mais territórios palestinos) em uma gigantesca tela.

httpv://www.youtube.com/watch?v=9LAChIoJQPg

___O Muro da Segregação ainda é um crime contra a humanidade feito por Israel, mas, graças aos pichadores, hoje, ele pertence um pouco mais ao maltratado povo palestino.

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Série “Muros, ironia e espaço público”

- Parte I – Os muros de Marcelo Rubens Paiva
- Parte II – O muro de M. Ulisses Adirt
- Parte III – De quem é esse muro?

4 Comments

  1. Pingback: Muros, ironia e espaço público: Parte I – Os muros de Marcelo Rubens Paiva – Incautos do Ontem

  2. Pingback: Muros, ironia e espaço público: Parte II – O muro de M. Ulisses Adirt – Incautos do Ontem

  3. “Docemente, vejo como dono do muro quem tem de conviver com ele, olhar para ele, sentar-se nele. Por dentro, o dono do muro pode ser o dono do imóvel, mas, por fora, todos são donos do muro. Quem grafita é dono do muro, quem namora apoiado na parede é dono também, quem desvia e quem olha – principalmente quem olha – é dono do muro.”

    Deliciosa sua reflexão sobre o ponto, Ulisses!

    Fiquei bastante feliz pelos frutos do nosso debate e essa série ótima que você postou.

    Um abraço,

    Caio

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