Parte I aqui.
#####
___Em meados de 2009, um artista resolveu pegar um muro sujo, longo e maltratado, próximo à minha casa, e colar uns cartazes. Eu apreciei bastante. Aquele lugar feio e perigoso tornou-se mais interessante.
___Depois de anos ignorando o muro, o “dono”, talvez incomodado com os cartazes e algumas outras pichações, resolveu pintá-lo.
___Foi o convite que os pichadores e grafiteiros estavam esperando. Quiçá incomodados com a eliminação dos cartazes, grafites e afins, quem sabe empolgados pela tinta recente, eles capricharam no trabalho e forraram o muro de escritos.
___O “dono” da parede mandou ver na tinta.
___No entanto, olhem com atenção a imagem acima. Os grafiteiros, mal a tinta havia secado, acrescentaram um trabalho novo. Deixo a obra em destaque.
___E não pararam por aí. Poucos dias depois, novos grafites surgiram, continuando o trabalho do primeiro.
___Mais algumas semanas e novas pichações despontaram pelo local.
___Além dos trabalhos tradicionais, resolveram colocar alguns em alto-relevo – com papéis, plásticos, massinhas, tampinhas e afins.
___Depois de um mês e pouco, chego em casa e vejo o muro pintado (por sinal, muito mal pintado).
___O interessante, entretanto, é que a mão de tinta que foi passada ignorou completamente a existência da obra em alto-relevo. Sem ligarem para a diferença entre ela e os outros trabalhos, simplesmente passaram tinta em cima.
___O recado estava dado: o alto-relevo podia ficar. Valia a pena até pintá-lo novamente.
___Mais do que isso. Os artistas do muro resolveram fazer várias novas obras com materiais atípicos.
___O “dono” e suas monocores ainda não reagiram às intervenções artísticas.
___De qualquer modo, atualmente o muro vive. Graças aos artistas, aquele muro não é mais uma parede esquecida, não é apenas um feio entrave à visão. Ainda é um local perigoso de se andar à noite, mas, queira ou não, é um lugar mais agradável.
#####
Série “Muros, ironia e espaço público”
- Parte I – Os muros de Marcelo Rubens Paiva
- Parte II – O muro de M. Ulisses Adirt
- Parte III – De quem é esse muro?
















Pingback: Muros, ironia e espaço público: Parte I – Os muros de Marcelo Rubens Paiva – Incautos do Ontem
May 2, 2011 at 4:42 pm
Ulisses,
que máximo você ter documentado a história desse muro. Passo por aí quase todas as vezes que saio de casa pois moro perto do metrô Vila Madalena. Inclusive, vi o dia que o cara estava pregando essa arte preta em relevo, achei bem diferente e interessante.
Essa é a graça da arte de rua. Fazer algo legal e ao mesmo tempo saber que aquilo é efêmero, mas que quem vê, dá valor. Quando pintam por cima realmente é um convite para renovar a arte.
Não tinha reparado que tinham pintado em cima do relevo, dei risada aqui!
Beijão!
May 6, 2011 at 1:54 pm
Diga-se de passagem, não sabia q éramos vizinhos. Se algum dia quiser aparecer aqui para tomar um lanche, é só falar.
Bjs.
Pingback: Muros, ironia e espaço público: Parte III – De quem é esse muro? – Incautos do Ontem
May 16, 2011 at 5:48 pm
(respondendo depois de anos…) Vou fazer a edição do Y! Posts ai com vc! hehehe
Pingback: Bookmarks for May 9th through May 18th | Arte
May 12, 2012 at 1:23 am
Que demais! Estou encantado com essa seqüência de fotografias. Estes artistas é que cuidam dos nossos muros! deixam a cidade muito mais alegre e colorida. E só pra constar, também sou um grande fã de Banksy, artista de rua ativista que faz obras sensacionais! Ótimo post Ulisses.
PS: Por falar no teu nome, quando é que pretendes voltar para Ítaca?