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Devagar

___No mês passado, publiquei um texto chamado “190 km/h é crime. 60 km/h também deveria ser.”, defendendo a redução à velocidade dos automóveis. Alguns leitores reagiram negativamente. No geral, minhas respostas combinaram muito com a utilizada por um grupo de cicloativistas no último sábado.
___No dia 26 de outubro, o ciclista Fernando Martins Couto e o gari Antônio Ribeiro foram atropelados em plena calçada. Ciclistas, parentes e amigos das vítimas, garis e transeuntes se juntaram para prestar uma homenagem aos mortos no dia 14, sábado. Entre as atividades realizadas, foi feita uma ação de pintura do asfalto.
___Minha resposta aos leitores e a resposta das pessoas ao “acidente” foi a mesma. Lembramos que no trânsito nada é mais importante do que o preservar de vidas. O asfalto ficou assim:

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P.S.: Por pura coincidência, minha postagem foi publicada exatamente no dia do “acidente”, dia 26 de outubro.
P.P.S.: Para saber mais sobre a homenagem do último sábado, aconselho a leitura do que foi publicado no + Vá de bike! + e no apocalipse motorizado.

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As imagens do desabamento do Rodoanel

___Vamos fazer um pequeno exercício? Abra a homepage do Google e/ou do Yahoo! e digite “Guerra”. Agora clique em “Imagens” (de preferência com o SafeSearch/Filtro Familiar desativado). Horrível, não? Agora digite “Guerra” e, também, “Afeganistão”. Mais cenas grotescas. Troque “Afeganistão” por “Vietnã”. Imagens fáceis de deixar qualquer um chocado. Acha bom trocar de tema? Quer algo mais recente? Tente “Furacão” e “Ida”. Mesma coisa: fotos tristes de destruição. Agora apague tudo e digite “Desabamento”. Destroços, construções destruídas. Quer ver agora a pior de todas? Digite “Desabamento” e, também, “Rodoanel”. Isso mesmo, procure pelas imagens do acidente nas obras do Rodoanel Mario Covas, aqui em São Paulo – acidente ocorrido na última sexta-feira, dia 13. O que achou? Medonho, certo? Vou reproduzi-las abaixo.
___Google:

___Yahoo!:

___Achou? Eu também não. O Google mostra só cenas calmas: o Rodoanel, o governador José Serra, mapas, máquinas trabalhando. Nenhum desabamento; nem mesmo um destroço.  O Yahoo!? O Yahoo! fica em uma situação pior ainda: não mostra nada. Aparece simplesmente a mensagem “Não foram encontrados resultados sobre ‘desabamento rodoanel’.”.
___O que é isso? Que falta de vergonha na cara é essa? De onde vem essa censura velada?
___Nem imagino se a ordem para esconder as imagens veio de coação do governo estadual, de suborno da Dersa (empresa responsável pela construção) ou de Chuck Norris em pessoa. O fato indiscutível é que o acesso às fotos do acidente foi dificultado e isso queima bastante a credibilidade desses serviços de busca.
___Quanto às imagens, elas abviamente existem, soltas pela rede. Deixo algumas delas abaixo.

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P.S.: O furo, obviamente, não veio da grande imprensa, mas, sim, das mídias sociais. Recebi a dica da minha vizinha de portal Camila Pavanelli, que encontrou a notícia no blog Estado Anarquista e no Cloaca News. Não achei mais ninguém falando disso, mas, também, os procuradores não ajudaram. Ainda bem que não precisamos mais contar somente com grandes empresas para saber de alguma notícia.

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Com olhos de Chico Buarque

___Uma leitora me indicou o blog Homem é tudo palhaço. Assinei o feed, fui lendo o que ia sendo publicado e me esbaldando de dar risada com vários textos. Quando a encontrei pelo MSN, agradeci pela indicação:

Eu: Um dos blogs q vc me indicou tem me divertido bastante.
Ela: qual deles, o HTP?
Eu: Sim. Esse.
Ela: é mto bom né?
Eu: Sim. É um tanto afetado, mas eu me divirto bastante.
Eu: os textos são bacanas, com umas tiradas mto boas…
Ela: PEOR é q eu super concordo com tudo o que elas escrevem
Eu: rs…
Eu: Ainda bem q eu não vivo no mundo monogâmico das pessoas comuns… por isso dou mta risada.
Eu: Fico impressionado como as pessoas baunilhas sofrem por pouco…
Ela: ah meo
Ela: tem umas coisas q eu acho mto foda
Ela: tipo sair com a menina e nao contar q namora
Ela: acho isso péssimo.
Eu: hahaha
Ela: pq né? cria toda uma expectativa
Ela: ai a fuefa acha q descolou um bofe legal
Ela: e qdo vê, o cara é um puta dum palhaço
Ela: q tentou dar uma de esperto.
Ela: eu mando tomarnocu fácil e sem dó
Eu: rs… tá certo… achei o último texto q o HTP falou disso divertido
Eu: peraí… deixa eu pegar um dos comentários q eu chamo de afetados.
Ela: ah, eu tb! até usei uma frase desse texto com um loser esses dias
Ela: ahahahhahaha
Eu: Achei. Tá aqui o trecho:

[Parte do relato de uma leitora do HTP:] ‘Saimos de lá e eu fui ao aniversário de uma amiga. Na volta, passei na casa do malandro. Vimos um filme e dormimos juntinhos, conchinha…’
[Comentário de uma das autoras do
HTP:] Pausa para um breve comentário: está tudo tão lindo que estou quase às lágrimas, mas quero alertar as moças de plantão que esse lance de dormir de conchinha banalizou. Não é sinal de porra nenhuma.

Eu: em q momento da história humana conchinha foi sinal de algo???
Ela: oieeee
Eu: Dormir de conchinha é gostoso e fim.
Eu: A regra é simples: se a pessoa é cheirosa, não chuta durante o sono, nem é a Sharon Stone em Instinto Selvagem, é claro q dá vontade de dormir abraçadinho… fim… Tem de acreditar mto em príncipe encantado para pensar em algo a mais.
Ela: dormir de conchinha, pras mulheres, é romantico.
Ela: denota um certo interesse/vontade de se envolver
Ela: tem toda uma psicologia
Ela: leia com olhos de chico buarque xuxu
Eu: Leio… com os olhos do Chico, autor da música “Folhetim”.
Ela: hahahahaha
Ela: nao nao
Ela: ai nao vale
Eu: rs
Ela: tem que ser com olhos de “Tatuagem

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___Cada um escolhe o Chico Buarque que quer.

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Cenas de porrada de Asterix e Obelix – Adendo

_____A melhor definição que eu já vi sobre os caminhos que o Orkut traçou no Brasil, foi do André Dahmer, na ótima tirinha abaixo.

_____Realmente, o Orkut, que já foi palco de conversas interessantes, tornou-se, no geral, uma pocilga infrequentável. Mesmo assim, como até em entre alunos da Uniban dever ser possível encontrar algum que valha a pena (teoricamente), ainda existem comunidades que são interessantes nessa rede social.
_____Uma delas é a comunidade Asterix - fãs brasileiros. Lá é possível acompanhar discussões interessantes, boas citações, notícias sobre as personagens de Goscinny e Uderzo. Além de tudo, ela é muitíssimo bem frequentada. O grande Ota, ex-editor da Mad e editor do estranho Otatube, por exemplo, é um de seus participantes – ativo, inclusive. Além dele, os outros fãs ativos, demonstram bastante conhecimento das personagens.
___Não foi à toa que a comunidade descobriu meu texto “Top 10: Asterix e as melhores porradas que os gauleses já deram nos romanos”. Não apensas o descobriu como fez bons comentários e ótimas indicações de complementos. Sendo assim, acrescento agora algumas cenas de porrada que faltaram no Top original.

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- Asterix Gladiador
___Eu já havia citado o Asterix Gladiador no Top 10, com uma cena em que Asterix, com apenas um soco, bate em vários legionários, enquanto Obelix bate em outros soldados e coleciona seus capacetes. MN Desouza, na comunidade, citou também o momento em que os gauleses invadem o acampamento romano de Petibonum. É uma sequência bem divertida, pois não apenas mostra a prévia da invasão e tira um sarro das famosas manobras romanas…

… como, também, seleciona alguns quadrinhos com sopapos clássicos de Asterix e Obelix.

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- Asterix e o caldeirão

___Outro adendo veio da leitora Fimbrethil. Ela citou essa cena, em que um legionário romano tem o rosto esmagado pelo caldeirão do título do álbum.

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- A Cizânia
___A melhor de todas as citações veio de Mauricio Pereira, o dono da comunidade e único freqüentador do lugar que ostenta um nome normal. Muito simpático, ele inclusive scaneou uma imagem que eu tinha vontade de colocar no Top 10, mas não consegui pela dificuldade de deixá-la legível no computador. A letra ainda é bastante pequena, mesmo assim cliquem na imagem para ampliá-la e deliciem-se com a gigantesca “Batalha da Aldeia”.

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- O Escudo Arveno
___O último adendo é pessoal.

___Quando se faz um Top 10, deixa-se muito material bom de fora. Fiquei morrendo de vontade de colocar o par de quadrinhos que dá início ao livro O Escudo Arveno e aproveito a oportunidade para fazê-lo.
___Vercingetórix foi um importante chefe gaulês que conseguiu, de maneira inédita, reunir várias tribos da Gália para lutar contra o invasor. Mesmo com essa união, a revolta gaulesa contra os romanos acabou sendo derrotada em Alésia, em 52 a.C.. Seguindo um costume guerreiro, Vercingetórix lança suas armas aos pés do vencedor: Júlio César.
___A cena é famosa e já foi retratada inúmeras vezes.

___Na versão de Goscinny e Uderzo, entretanto, o derrotado Vercingetórix depôs suas armas nos pés de César. O resultado é que, mesmo que de maneira indireta, um gaulês causou dor a um romano e, portanto, fecho estes adendos com essa última pancada.

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Sorte?

___Acabei de receber uma ótima notícia. Um pouco bobo de felicidade, abro meu e-mail e vejo que tenho quatro mensagens novas e um spam. Clico primeiro no spam para deletá-lo. O e-mail abre automaticamente e, em letras garrafais, aparece: “Prepare-se! Sua sorte pode estar prestes a mudar!”.
___Que gente chata. Além de mandar spam, ainda querem atrapalhar a felicidade alheia.
___Deletei mesmo.

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O hábito não faz o monge

___Em pleno século XVI, o escritor François Rabelais, autor de Gargantua e Pantagruel, cunhou o dito “O hábito não faz o monge”. Para ser mais exato, a frase completa foi “O hábito não faz o monge, e há quem, vestindo-o, seja tudo menos um frade.”. A genialidade do autor e da expressão a mantiveram viva até hoje; só é triste saber que ela continua não só absurdamente atual, como, também, ainda não foi aprendida por inumeráveis grupos de ignorantes.
___O exemplo mais clássico é o do judiciário. Ao obrigar o uso de camisa social, calça e sapato (ou até terno e gravata para homens e a ridícula proibição de calças para mulheres), os membros do judiciário não só excluem parte da população como, também, parecem deixar claro que o respeito a eles devido não vem do seu mister, mas, sim, das suas roupas.
___É possível encontrar diversos outros exemplos pelo país. Desde o Congresso que obriga que seus membros usem terno e gravata (e, vale a repetição: parece ficar claro que o respeito a eles devido não vem do que fazem, mas, sim, das suas roupas), a faculdades vagabundas que tentam expulsar uma estudante por utilizar uma roupa “inadequada” ao ambiente “escolar” – após a aluna ter sido agredida pelos colegas “estudantes”.
___Como professor, frequentemente encontro escolas que proíbem o uso de bermudas. A medida, para dizer o mínimo, é burra. O objetivo do professor é ensinar seus alunos. A instituição de ensino que proíbe o uso de uma vestimenta que pode deixar o docente mais à vontade em um dia de calor está descaradamente atrapalhando a aula. Uma calça comprida em uma sala quente desconcentra o professor e, portanto, deixa o seu raciocínio mais lento e a aula pior.
___Já cansei de ver advogados, políticos, estudantes e professores com os mais “dignos” trajes. Muitos deles, afirmo sem medo, vestindo aquelas roupas eram tudo, tudo menos bons… “frades”.

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P.S.: O Mauro Castro tem uma ótima crônica chamada “Para não dizer que não falei de roupas” que toca levemente no assunto do meu texto. Não encontrei o escrito pela internet, mas ele está no Taxitramas – Diário de um taxista, o livro que ele publicou. Confiram e leiam (com os trajes que vocês preferirem) o restante do livro que vocês vão se divertir até não poderem mais.

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Tempo, o fósforo do meu cinema

___Piadinha clássica:

___O homem é condenado a 10 anos de prisão, trancado em uma cela solitária. O diretor da prisão pergunta:
___– O que você gostaria que colocássemos dentro da sua cela para que você possa se entreter pelos próximos 10 anos.
___– 10 milhões de maços de cigarro. – responde o prisioneiro.
___Lotam a cela do rapaz de cigarros e o trancam lá dentro.
___Dez anos depois, abrem a porta. O ex-prisioneiro, com a maior cara de acabado, sai rastejando com um cigarro na mão dizendo “Fóóóóóósforo… fóóósforo, por favor!”.

___Claro que o meu caso não é tão grave. Mesmo assim, algo bem parecido vai acontecer comigo na segunda-feira.
___Adoro cinemas. Mesmo assim, minha conta bancária não permite que eu os frequente tanto quanto eu gostaria. Isso não significa, claro, que eu vou pouco. Tudo o que é sessão mais barata dentro do meu horário, pode contar que estou por lá.
___Os Cinemarks, por exemplo, todos os dias, às 15h, possuem uma sessão por apenas 4 reais. Toda semana vejo, no mínimo, um filme na rede. É ótimo.
___Segunda, dia 9/XI, todas as salas do Cinemark irão exibir filmes nacionais por apenas 2 reais no 10º Projeta Brasil. Na mesma segunda-feira, os cinemas da rede Kinoplex, na Festa do Cinema, irão exibir qualquer filme por 6. Acostumado a uma cidade que não costuma ter bons cinemas em qualquer horário por menos de 14 reais, saber que não vai ser possível aproveitar as duas promoções até o osso é quase como ficar na cadeia sem fósforos.

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…, e obrigado pelos livros!

_____Caio de dar risada quando leio textos bem feitos dizendo que Literatura não serve para nada. O infeliz do autor sabe ler e escrever bem, consegue argumentar e refletir sobre a realidade e não percebe que faz isso porque leu muito na vida. Quem lê bastante (e direito) sabe muito bem que as idéias, os argumentos e as visões de mundo dos não-leitores costumam ser bastante pobres.
_____Meu avô sempre foi um grande exemplo para mim. Além de ter feito diversos trabalhos interessantes na vida, a leitura sempre figurou como uma de suas principais atividades de lazer. Provavelmente foi por causa dele e da minha mãe que hoje eu não apenas gosto de ler, mas, também, argumento de maneira consistente nos meus textos.
_____Como não sou mal-agradecido, agradeço-os pelo que sou hoje. Como não sou ingrato, agradeço, também, aos livros. Grande parte do que eu sou e do que sei não caiu do céu, caiu da estante.
_____Demonstro meu agradecimento quando tento fazer com que meus alunos gostem de ler; ao escrever sobre algum livro no blog; quando divulgo uma boa iniciativa literária. Por isso mesmo aproveito para divulgar, como já fiz outras vezes, a edição deste ano da Copa de Literatura Brasileira e o site dOs Viralata.
_____A Copa convida autores interessantes e bem diferentes para escreverem “partidas” entre livros brasileiros lançados no ano passado até que todos os derrotados sejam eliminados e só reste o campeão. É sempre uma leitura válida (dos textos aos comentários).
_____Os Viralata é um site que tem como objetivo divulgar o trabalho de escritores independentes. Lá é possível encontrar escritores já publicados por boas editoras que resolveram publicar um trabalho independente, bons escritores rejeitados pelas editoras, malucos que escolhem títulos de romances que dificilmente seriam publicados se não fosse de maneira independente e, claro, escritores ruins que resolveram publicar às próprias custas.
_____Aproveito para propagandear Os Viralata por dois motivos: (1) Albano Martins Ribeiro, vulgo Branco Leone, o dono do site, reformulou-o. Vale a pena ver como ficou. (2) Querendo divulgar melhor o site, Albano está fazendo a promoção “Divulgue e ganhe um livro.”. Quem quiser colocar um banner dOs Viralata em seu site, blog, livraria, casa de tolerância ou açougue receberá um livro como forma de agradecimento.
_____O primeiro banner da promoção, vale dizer, já valeria a divulgação por si só. Olhem aí.


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P.S.: Para quem entendeu a referência no título, não se preocupe, nenhum “Até mais” é necessário no início da frase.

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Infância

_____Vantagem de ser criança: é possível se divertir facilmente em qualquer lugar.

_____Metrô paulistano, final de semana: um grupo de crianças que estava indo para um lugar qualquer com os pais resolveu aproveitar o espaço para bater figurinhas. Eles pareciam estar se divertindo até não poderem mais. Uma graça.

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_____Vai ter algum chato falando de infância roubada pela vida contemporânea?

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A Definição de Poesia

_____Queridos leitores, para quem não sabe, poesia é a figura que eu posto logo abaixo desta frase.

_____Não, meus queridos, não me tomem como um novo Marcel Duchamp, não é nada disso. Estou apenas reproduzindo o que aprendi em uma aula de Literatura.

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_____Gosto de ser professor; gosto de dar e de ver aulas. Acho uma graça alguém montar toda uma performance para explicar algo que a humanidade criou ou descobriu. Por isso mesmo, sempre que posso, paro e assisto aulas dos meus colegas de trabalho. Outro dia, entretanto, cheguei a me arrepender desse costume.
_____Parei na porta de uma aula de Literatura literatura que um professor qualquer estava dando. A aula havia acabado de começar.
_____Fazendo a maior cara de dono do saber, o professor depois de escrever o tema da aula na lousa – “Poesia” –, vira para a turma e pergunta:
_____– Vocês sabem o que é poesia?!?
_____Antes mesmo que alguém esboçasse qualquer tipo de resposta, o professor cara que estava dando aula, levantando a voz, respondeu.
_____– Eu sei que não sabem! Vocês ainda são novos demais para saber MESMO o que é uma poesia. Mas, agora, prestem atenção que eu vou dizer. Agora vocês vão saber o que é uma poesia.
_____Ele parou por uns dramáticos segundos e mandou a “definição”:
_____– Poesia é inspiração. É INSPIRAÇÃO, porra! – Gritando e batendo na mesa ele repetia. – É isso que é poesia! É inspiração! Inspiração, sabem?!? Não é aquela merdinha que vocês fazem a qualquer hora. Não é aquele troço que vocês fizeram por obrigação porque a professorinha de Português mandou. Poesia é inspiração! Vem daqui!
_____E assim, apontando para o próprio peito e repetindo “Daqui! Inspiração, manja?!” ele concluiu a “explicação” e mandou os alunos pensarem nisso e produzirem um poema.

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_____Talvez ele esteja certo. Eu que devo ser um escritor medíocre. Cada texto que vou escrever, fico horas e horas, dias e dias para produzir. Leio e releio dúzias de vezes. Depois de publicado ainda acho que é possível melhorar alguns detalhes e, às vezes, até reescrevo uma parte. Isso porque, excetuando raríssimas exceções, só produzo prosa. Talvez se eu esperasse a inspiração, todo texto sairia com mais facilidade, melhor, mais poético.
_____Deve ser isso mesmo. Posso até imaginar em uma manhã de outono, num momento de inspiração, Luís Vaz de Camões sentando e escrevendo Os Lusiadas, em uma tacada só. Claro. O que mais pode explicar aqueles 10 cantos, aquelas 1102 estrofes, aqueles 8816 versos todos, todos decassílabos? Foi inspiração, só pode ter sido. Todo o poema dividido em estrofes de oito versos com rimas fixas ABABABCC é um claro sinal de inspiração. E é essa inspiração, que dá para sentir de longe, que define o épico camoniano como poesia. Só isso.

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_____Deixando as ironias de lado, será que aquele imbecil não sabe o que é trabalho duro? Não, com toda a certeza não sabe. Não sabe do trabalho duro dos poetas, nem do trabalho duro de se estudar um tema antes de dar aula sobre ele.
_____Poemas não podem ser definidos como inspiração. Isso nem chega perto de uma definição. Diga-se de passagem, a inspiração pode até ajudar na produção de um poema, mas, com certeza, ela não é o único ponto para a sua feitura. Pelo menos não dos bons poemas.
_____E, se algum “poeta” discorda de mim, pode dar uma olhada nesta oferta. É possível adquirir um ótimo poema, quase um clássico, por menos de 400 reais.

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P.S.: Dizem as más línguas que o autor-tema da última postagem, Edgar Allan Poe, inspirou muita cocaína antes de produzir seu mais famoso poema – “O Corvo”. Talvez o infeliz que deu aquela aula medíocre de literatura estivesse falando do Poe.
P.P.S.: Não posso deixar de indicar o texto “Coisas que fluem”, do Alex Castro. Nas palavras dele a um jovem escritor, “meu amigo, eu disse, com vontade de bater em seu ombro, o que flui é a sua urina quando mija. Arte é uma construção consciente.”.

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