1- Chegue do trabalho cansado.
2- Abra a geladeira e sorria porque: ___a) você acaba de recordar bons momentos do fim-de-semana com a sua esposa. ___b) existem sobras do final-de-semana.
3- Olhe o resto dos nuggets do almoço anterior em uma tupperware.
4- Note que, na panela de fondue, ainda sobrou bastante queijo.
5- Coloque a panela de queijo no fogo e os nuggets no micro-ondas.
6- Ao invés de utilizar um pedaço de pão, tente mergulhar os nuggets no queijo.
7- Queime sua mão.
8- Pegue um garfo maior.
9- Mergulhe os nuggets no queijo.
10- Delicie-se. ___Porção para uma pessoa.
___Muito tem se falado atualmente sobre as mudanças no Código Florestal brasileiro. Atualmente, o foco está em pedir para que a presidenta Dilma o vete. Meu problema é como as pessoas têm compartilhado isso.
___Sinceramente, não lembro de Dilma falando sobre o assunto durante a campanha presidencial, não lembro de uma promessa de campanha sobre vetar mudanças no Código Florestal. Posso estar errado, mas não lembro mesmo e, também, não encontrei provas da então candidata falando isso. O que eu encontrei, foi o seguinte:
___Não é uma fala de campanha. Dilma falou tudo isso em maio de 2011, já presidenta, portanto. Mesmo assim, mostrou-se favorável ao veto. Espero que mantenha a posição.
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P.S.: Caso algum leitor tenha alguma prova da Dilma, em campanha, prometendo o veto, ficarei feliz em ser corrigido. Gostaria mesmo de vê-la falando isso.
___Em uma cena divertida do desenho Os Incríveis, Edna E. Moda e o Senhor Incrível discutem sobre um novo uniforme de super-herói. Empolgado, ele diz: ___– É… Uma roupa clássica que nem a do Dinamite! Oooo… Ele tinha uma roupa legal. A capa e as botas… ___Quando a estilista o interrompe, jogando um papel na cara do herói e dizendo categórica: “Nada de capa!”. O Senhor Incrível tenta argumentar, mas Edna é inflexível e, para fortalecer a sua decisão, fornece vários exemplos de heróis que morreram por conta da capa. Vejam abaixo (até 1’41”).
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___Um adereço muito comum utilizado por dançarinos, principalmente em coreografias, é o chapéu. Até aí, nada de errado. O problema é que, obviamente, o chapéu tem chance de cair no meio da dança e isso desconcentra os dançarinos, atrapalha a performance e afins. Só para mostrar um par de exemplos, é possível ver naquela coreografia dos Irmãos Mario – que eu citei por aqui – o cavalheiro esquecendo a dama (de 44” a 48”) por conta do chapéu que caiu. Ou, como é possível perceber facilmente na salsa abaixo, mais de uma vez os dançarinos perderam o prumo ou saíram de formação por conta do adereço de cabeça.
___Não sou tão exagerado em relação aos chapeis quanto a Edna Moda em relação às capas. A cobertura na cabeça pode combinar com o que está sendo dançado, pode tornar a performance mais interessante, mas, se caiu, o dançarino tem de lembrar: o chapéu não é o ponto principal da dança, ignore-o. A não ser, é claro, que o dançarino tenha a desenvoltura de Arjay Centeno:
___Uma amiga querida me emprestou um livro triste (pelo menos até o ponto em que eu já li) chamado Pequena Abelha*. Em determinado momento, uma personagem descreve a seguinte situação:
Havia duzentas pessoas espremidas dentro de cada vagão. Com o corpo imprensado e imóvel, ouvimos o rangido estridente das rodas de metal nos trilhos. Durante três paradas, viajei apertada de encontro a um homem magro vestido com um casaco de veludo cotelê que chorava em silêncio. Normalmente, teria desviado o olhar, mas minha cabeça estava imobilizada numa tal posição que só podia olhar para ele. Gostaria de ter passado um braço pelos ombros daquele homem – até um afago simpático em seu ombro teria bastado. Mas os outros passageiros não deixavam que movesse meus braços. Talvez alguns desses também tenham tido vontade de consolar o homem, mas estávamos todos comprimidos demais para nos movermos. O próprio número de pessoas bem-intencionadas tornava a compaixão algo embaraçoso. Um de nós teria de empurrar os outros para abrir caminho até ele e dar o exemplo para todos, o que teria sido uma atitude nada britânica. Eu não tinha certeza se seria capaz de manifestar ternura assim, num trem lotado, sob o olhar silencioso dos outros. Foi horrível para mim não ajudar o homem, mas eu estava dividida, oscilando entre dois tipos de vergonha. Por um lado, a vergonha de não cumprir uma obrigação humana. Por outro, a loucura de ser a primeira de uma multidão a ousar um gesto. ___Sorri, impotente, para o homem que chorava e não consegui parar de pensar em Andrew. ___Assim que se chega à superfície, claro, é fácil esquecer nossas obrigações humanas.
___Mais à frente, a mesma personagem conta um pouco sobre o enterro de Andrew, seu marido:
___Meu filho [vestido de Batman] se desvencilhou de meu abraço, soltou-se de mim. Aconteceu muito depressa. Ele foi até a extremidade do buraco. Olhou para trás, para mim, depois se virou e avançou, mas a grama que encobria a beirada do buraco cedeu sob seus pés e ele caiu, a bat-capa flutuando atrás dele, dentro do buraco. Aterrissou com um baque surdo em cima do caixão de Andrew. Houve um único grito agoniado de uma das pessoas presentes. (…) ___As pessoas aglomeraram-se em torno da beira da sepultura, paralisadas com o horror daquela situação, daquela primeira descoberta da morte que era pior do que a própria morte. Eu tentava me debruçar mas havia mãos em meus cotovelos me detendo. Eu lutava para me soltar, olhava todos os rostos horrorizados ao redor do túmulo e pensava: Por que ninguém faz nada? ___Mas é difícil, muito difícil ser o primeiro. ___Finalmente, foi Abelhinha que desceu, que entrou na sepultura e segurou meu filho para os outros o puxarem para fora. Charlie dava chutes, mordia e esperneava ferozmente, a máscara e a capa enlameadas. Queria voltar para baixo. E foi Abelhinha, depois que a tiraram de lá, quem o abraçou e o conteve enquanto ele gritava, NÃO, NÃO, NÃO, NÃO, NÃO … (…) ___Ao lado da sepultura, quando os gritos cessaram, segurei Charlie junto ao meu corpo, a cabeça apoiada em meu ombro. (…) ___Abelhinha ficou comigo. De pé ao lado da sepultura, nós nos entreolhamos. ___– Obrigada – disse eu. ___– Não foi nada – disse Abelhinha. – Só fiz o que qualquer um faria. ___– É, só que ninguém fez – repliquei.
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___Faz uns dias, um leitor me enviou o seguinte vídeo:
___Claro, a primeira coisa que chama a atenção é a demência do motorista que, covardemente, atropelou o pedestre de propósito. É o próprio retrato de um mundo que valoriza mais os automóveis do que a vida. Só que, além do absurdo básico da cena, outra coisa me chamou a atenção: tudo aconteceu e ninguém fez nada. Ninguém reagiu quando do atropelamento, ninguém tentou impedir a agressão e, por fim, ninguém socorreu o rapaz ao chão. ___Mas é difícil, muito difícil ser o primeiro.
___Escola particular paulistana de classe média alta, semana de provas. Três professores não chegam à tempo para a primeira aula. Como as avaliações são aplicadas em um horário rígido, por conta do imprevisto acabam entrando para tapar buraco nas três salas sem professores, uma coordenadora, um inspetor e uma faxineira, antiga funcionária da escola. ___Na sala que a Faxineira estava a tomar conta, um aluno – terceira fileira, quarta carteira – começa a consultar um livro por baixo da mesa. Inexperiente com a situação, mas percebendo a cola, a senhora se aproxima calmamente e fala para o estudante: ___– Meu filho, por favor, não faça isso… Colar só vai prejudicar o seu aprendizado… Estudar é muito importante para o seu futuro. ___Sem se abalar, o aluno levanta os olhos e fala: ___– Por quê? Se eu não estudar vai acontecer o quê? Eu vou virar faxineiro?
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___O relato acima é verídico.* Agora vou contar um fictício sobre o futuro do moleque mal-educado. ___Sem nunca precisar estudar para passar de ano, o garoto se forma. Por exigência dos pais, faz cursinho pré-vestibular, mas nunca estuda e não frequenta metade das aulas. No fim das contas, passa em uma faculdade particular caça-níqueis, aquelas em que não é necessário nem ser alfabetizado para conseguir uma vaga. ___Na faculdade, acaba se mostrando tão interessado nos estudos quanto era no colégio. Forma-se sem ter lido um texto da faculdade, sem saber nada sobre a profissão da qual, agora, é diplomado. Mesmo completamente incompetente, termina empregado por um conhecido de seu pai, com um salário que o coloca entre os 10% mais ricos da população. Nunca tem de trabalhar de verdade, outros que recebem menos que o mal-educado fazem o trabalho. ___Por coincidência, a filha da Faxineira, desde criança muito estudiosa (mesmo estudando em péssimos colégios públicos), trabalha na mesma firma que o diplomado rapaz. Educada, esforçada e muito competente no próprio trabalho, a mocinha sempre chega cedo, de duas a três horas antes do mal-educado. E, todos os dias, ao encontrá-lo, diz: “Bom dia, doutor. Sua sala já está limpa.”.
___Esperando minha vez de ser atendido na fila do mercado, presencio o seguinte diálogo entre o cliente da frente e a caixa que o atendia: ___– Moça, se eu esqueci um produto, eu posso ir correndo pegar. ___– Desculpe-me, senhor –, responde a caixa com a maior cara de “Vai dar merda…” –, mas existem outros clientes esperando. ___– E se for algo bem rápido? Ali, ó, não leva nem 10 segundos pr’eu ir e voltar. ___Meio sem graça, a funcionária responde: ___– Se for só até ali, pode… ___Ela continua a passar os produtos do rapaz; ele parado. Meio sem saber o que fazer, completamente sem graça, a caixa pergunta: “É… desculpe-me… O senhor não vai buscar o produto?”. ___Como se a atitude dele fosse a mais normal do universo, o cliente responde: ___– Não, não. Só queria saber se podia.
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P.S.: Aproveitando o assunto “bizarrices na fila do mercado”, leiam o “Devidisê”, do RobGordon.
___As tirinhas do André Dahmer são fabulosas. De quando em vez, entretanto, o grande espetáculo acaba sendo o comentário rápido que o Dahmer escolhe colocar acima das tirinhas. O último que muito me agradou foi o seguinte:
___Já que eu estou a citar o trabalho alheio – e a figura lamentável do Bolsonaro obviamente me lembra a Ditadura –, deixo mais algumas citações recentes sobre ditaduras.
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Ditadura da beleza ___A Lola, respondendo a uma leitora, disse:
___“Acho que há duas vertentes principais que respondem por que [nós mulheres] somos cobradas pela perfeição física. A mais óbvia é: pra consumir. Se a gente estivesse satisfeita com nossos cabelos, não gastaria um monte de dinheiro com cremes especiais, hidratação, pintura, cortes mil, chapinha, fivelinha, e sei lá o que mais se usa no cabelo. Fazer mulheres se sentirem feias dá muito dinheiro. ___“A outra vertente – que não necessariamente contraria a primeira – é que fazer com que as mulheres se preocupem unicamente com sua aparência nos distrai de pensar em coisas mais importantes, como, sei lá, mudar o mundo e ser igual a um outro gênero aí. Trata-se de uma forma de opressão extremamente eficiente.”.
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Ditadura carrocrata ___Voltando aos quadrinhos, deixo vocês com o Laerte.
“Dentre minhas realizações, quantas são exclusivamente por mérito meu e quantas são consequência direta da vida privilegiada que eu e meus antepassados levamos? Que tipo de dívida EU tenho com as pessoas que não tiveram tanta sorte?”.
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Ditadura heterossexual ___Dando mais um tapa na cara dos reacionários, o Fabiano empunhou o seguinte cartaz:
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Ditadura Militar ___Por fim, uma citação sobre a Ditadura Militar brasileira. Defendendo a ideia completamente válida de se fazer uma correção semântica, Paulo Candido propõe que deixem de nomear a Lei 6683, de agosto de 1979, como “Lei da Anistia” e passem a chamá-la de “Lei da Tortura”.
___“A mudança de nome tem então uma função precisa, desfetichizar para as novas gerações o que realmente ocorreu. Um regime sanguinário com os dias contados decidiu realizar uma troca: ‘perdoou’ crimes que nunca existiram (pois não é crime resistir a facínoras que tomaram o poder pela força, derrubando um governo democraticamente eleito) em troca do esquecimento de seus crimes contra a humanidade. É preciso que se saiba que a ‘anistia’, se houve, não se voltou para o passado, mas para o futuro. Para hoje, mais exatamente. ___“O efeito também é didático: é preciso que todos aqueles que invocam orgulhosamente a ‘Lei da Anistia’ saibam que estão invocando a ‘Lei da Tortura’. E que a ‘Lei da Tortura’ serve para proteger gente que espancou prisioneiros até a morte, estupradores de mulheres grávidas, exemplos de coragem que aplicaram choques elétricos na vagina de garotas de 19 ou 20 anos, hérois militares que enfiaram cassetetes no ânus de rapazes amarrados. ___“Dessa foram ficará claro que todo aquele que invoca a Lei da Tortura como jurisprudência tem como objetivo inocentar os torturadores. Que todo aquele que fala em ‘reciprocidade’ está equiparando a resistência a um regime sanguinário e ilegítimo a criminosos da pior espécie. Que a defesa da Lei da Tortura é na verdade a defesa de crimes contra a humanidade praticados por duas décadas contra brasileiros que ousaram se opor a psicopatas com cargos públicos agindo sob as ordem de generais golpistas.”.
___E, para quem precisa de ajuda para entender como as coisas funcionam, deem uma olhada em uma linda foto de criminosos escondendo o rosto por conta dos seus crimes:
___Não é bacana? Como são bonzinhos os publicitários que nos ensinam que não é comprando uma margarina ou um odorizador que seremos felizes! Para mostrar que eu aprendi a lição, achei que valia a pena dar uma analisada no reclame após o “Ah, tá de sacanagem que você achou que eles estão felizes assim por causa dessa margarina/desse cheirinho/desse plano de celular aí, né?”. ___Logo depois de ensinar que não é um plano de celular ou uma margarina que vai fazer as pessoas felizes, a propaganda corta para um carro, no caso o Grand Siena –, mas podia ser qualquer outro que não faria muita diferença. A verdade é essa: não é um automóvel que vai fazer alguém feliz. Para ser sincero, existe mais chance do carro tornar alguém infeliz do que um odorizador. Nunca ouvi nenhum caso de uma pessoa acidentada ou com uma dívida impagável causada por um odorizador. ___As propagandas, logo depois que o automóvel entra em cena, anunciam que o novo carro é “Maior, mais bonito, mais tecnológico.” (grifo meu). Coincidência ou não, o primeiro adjetivo – “Maior”* –, é um dos grandes causadores de infelicidade que quem usa carro.
___Os carros, por todo o espaço que ocupam e pelo número pequeno de pessoas que transportam, são os maiores agentes do trânsito que tanto estressa e incomoda os motoristas. Já diria uma máxima cicloativista, “Você não está preso no trânsito. Você é o trânsito.”. Na propaganda do Grand Siena, por outro lado, tentando pintar uma felicidade que não existirá com frequência fora da ficção-propagandística, o automóvel roda livremente por idílicas ruas vazias, sem nenhum outro carro para barrar o seu caminho. ___Falando de “maior”, aposto que também não é por acaso que em todas as propagandas são homens – não mulheres – a dirigir o carro novo.** É interessante perceber como se mantém nos reclames a ideia de que ter um automóvel vai trazer a felicidade e os valores do macho provedor, alfa, com o maior penacho ou qualquer outra idiotice do tipo.
___Sabem de uma coisa? Eu escolhi não ter um carro para atrapalhar a minha vida e digo sem receio: nunca me arrependi. Para falar a verdade, saber que tenho uma margarina na geladeira me faz muito mais feliz do que a possibilidade de ter um carro na garagem.
__________ * Mesmo sabendo que, teoricamente, deve estar se referindo ao tamanho interno do veículo. ** Assim como não é por acaso que as qualidades do carro são ressaltadas com um tamanho de letra e a frase “Respeite a sinalização de trânsito.”, colocada no comercial por força da lei, com letras menores.
___Noite abafada. Eu, esparramado no sofá, com um caderno e caneta ao lado, um livro na mão, outro no chão. Traje: apenas cueca. Minha esposa chega e pergunta o que eu estou fazendo. ___– Preparando aula –, respondo. ___Ela sorri e responde: “Se eu fosse sua aluna e imaginasse você preparando aula assim, ficaria desconcentrada e não conseguiria prestar muita atenção.”. ___– Ou, talvez –, retruco –, acabaria prestando mais atenção.
___No começo do ano, assisti a primeira temporada do seriado Game of Thrones e saí com a mais positiva das impressões. Na mesma época, minha mãe ganhou de presente o livro que inspirou a série –, A Guerra dos Tronos, de George R.R. Martin –, mas o tamanho da obra a intimidou e ela deixou o livro na minha mão. Deixei-o como leitura de banheiro, para ler sem pressa, sem grandes preocupações. Sendo assim, ainda estou no começo, mas, admito, está me agradando. ___No primeiro capítulo, cruzei com um trecho lindo. Após assassinar um homem em uma execução pública, o lorde Eddard Stark aproxima-se do jovem filho Bran e lhe explica o que acabou de fazer. Após alguma conversa, Eddard diz:
“… os reis Targaryen também tiveram [carrascos] antes [do rei Robert]. Mas o nosso costume é o mais antigo. O sangue dos Primeiros Homens ainda corre nas veias dos Stark, e mantemos a crença de que o homem que dita a sentença deve manejar a espada. Se tirar a vida de um homem, deve olhá-lo nos olhos e ouvir suas últimas palavras. E se não conseguir suportar fazê-lo, então talvez o homem não mereça morrer. Um dia, Bran, será vassalo de Robb, mantendo um domínio seu para o seu irmão e o seu rei, e a justiça caberá a você. Quando esse dia chegar, não deve ter nenhum prazer na tarefa, mas tampouco deverá desviar os olhos. Um governante que se esconde atrás de executores pagos depressa se esquece do que é a morte.” (grifos meus)
___Os dois ditaram as sentenças (e tinham poder para “desditá-las”), mas nenhum dos dois, nem Kassab, nem Alckmin, manejou a espada. Os dois se escondem atrás de burocratas, de assessores, de executores pagos e, portanto, rapidamente se isentam, se esquecem do sofrimento que causam. Esquecer, não se considerar culpado, deve ser bem importante para ajudar a manter o sorriso na próxima eleição.
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P.S.: Ironias da vida, o trecho que me trouxe essa reflexão, foi publicado na Veja. Sem dúvida, “Um governante que se esconde atrás de executores pagos depressa se esquece do que é a morte”.
P.P.S.: Para quem gosta do seriado Game of Thrones, aproveitando que eu falei da Veja, deem uma olhada como ficaria a capa da revista caso a historinha não fosse ficção: